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O
projeto de lei que definirá as regras para anúncios e campanhas
publicitárias para a Copa de 2014 esconde uma dor de cabeça que só
agora os grandes anunciantes começam a tomar conhecimento. Trata-se das
normas que tentarão impedir o chamado "marketing de emboscada", aquele
que invade um evento ou espaço de um patrocinador na surdina e sem
amparo legal. Desde
setembro de 2009, está no Senado Federal um projeto de lei (394/2009)
que busca regular a utilização de espaços publicitários no país durante
a competição. Nesse momento, o projeto tem sido alvo de emendas e
alterações - por isso está na mesa das empresas e de seus advogados. A
regra em debate é simples: apenas as companhias que desembolsaram até
US$ 200 milhões pelas cotas de publicidade da Fifa podem ligar as suas
marcas ao evento. Algo óbvio, mas há um ponto específico, com uma série
de nuances, que tem tirado o sono dessa turma. "Se
cada prefeitura fizer isso de forma individual, pode ser que esse
espaço seja de dez quilômetros no Morumbi, uma região populosa, e três
quilômetros num estádio em uma região despovoada. Por acaso, alguém
sabe quantas casas de shows existem ao redor do Estádio do Morumbi?
Então nesses locais todos só poderão aceitar cartão Visa, que é
cotista, ou beber Brahma? Ninguém sabe de nada e as empresas já estão
nos procurando para entender melhor essas questões", diz Paulo
Focaccia, sócio do CFLA Advogados e assessor jurídico da Associação de
Marketing Promocional (Ampro). Escritórios como Bhering Advogados e Demarest & Almeida Advogados também têm sido consultados. "Nós
precisamos evoluir nessa discussão. O Brasil é o único país do mundo
onde não há legislação sobre o marketing de emboscada. Está na hora de
mudar isso", diz Pedro Bhering,
advogado da Fifa e do Comitê Olímpico Internacional (COI) no Brasil.
Segundo ele, já foi constatado o uso ilegal dos símbolos e de
expressões (como "Copa de 2010" e Copa do Mundo 2014"), de propriedade
da federação, em anúncios e campanhas de 60 empresas no Brasil, entre
janeiro e abril. Na África do Sul, nos últimos quatro anos, foram 400
casos. Clique aqui para uma reprodução da notícia. Leia a íntegra desta reportagem no web site do jornal Valor Econômico. |